sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Um problemático para chamar de meu

Sua pele coberta de cicatrizes escondem os segredos de um passado obscuro, uma alma perturbada, mas o sofrimento se revela através dos seus olhos rebeldes, ou quando range os dentes à noite. Seu sorriso é superficial, sua boca está sempre curvada para baixo, seus toques são breves e ele não gosta de receber carinho – teu corpo já fora muito maltratado. Ele já sentiu o sangue arder na pele, o calor queimar sua superfície, a lâmina cortar fundo e deixar uma ferida aberta e incurável, mas as sequelas maiores são as psicológicas: ele já viveu a agonia de esquecer, sua mente traiçoeira não lhe permite saber o que foi real ou não; e a agonia de reviver todos os dias as lembranças dolorosas, carregadas de mágoa e rancor. Oscilando entre o amor e o ódio, não há mais lágrimas a derramar porque a fonte já secou, a frieza abraça teu coração de tal modo que ele se tornou impenetrável.

Somente quando roça tua barba em meu rosto, quando me deixa te abraçar enquanto dorme ou quando me olha com ansiedade antes de eu partir é que sei que ele me ama. Desisti de esperar por um beijo teu, mas todas as manhãs sinto teus lábios em meu rosto, numa despedida demorada, às vezes acompanhada de um cafuné gostoso. Preciso aprender a respeitar teu espaço, da mesma forma que sinto a necessidade de ter toda sua atenção somente para mim, sei que seu amor possessivo me domina de tal forma que só tenho olhos e ouvidos para suas palavras, inclusive as que não são ditas, ou para as que se perdem nas entrelinhas. Repreender-me através de sermões é a sua maneira de demostrar que se preocupa comigo; a gente briga só para poder fazer as pazes depois.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Vida de Home Office

Desde que saí do meu último estágio, venho tentando trabalhar em casa. Morar num lugar tranquilo, ter meu próprio escritório e passar o dia sozinha (com o gato) ajuda bastante. Mas, para me adaptar, precisei criar uma rotina e às vezes atropelo minhas próprias regras. De qualquer forma, está dando certo para mim.

Minha mãe tem uma característica muito forte que a diferencia bastante de outros pais: ela nos incentiva e motiva a fazer o que gostamos e queiramos, mas com disciplina e foco. Ela é a minha principal inspiração quando o assunto é trabalho, pois sempre foi independente, empreendedora e sempre buscou soluções alternativas para arcar com todos os gastos da casa e dos filhos sem a ajuda de ninguém. Mas também devo creditar meu namorido, que apesar de já ter expressado que seria ótimo se eu tivesse um emprego "normal", me apoia em minhas decisões (ou se conforma? rs).

Todavia, não posso dizer o mesmo da sua família, que não vê um trabalhador informal com bons olhos. As pessoas tem o mau hábito de praticamente desconsiderarem que ser estudante também é uma condição que demanda muito tempo e esforço. Meu namorido sempre trabalhou e nunca deixou de estudar. Mas minha criação foi diferente, minha mãe nunca nos impôs esta rotina exaustiva e estressante: ela sempre deu prioridade aos estudos. Talvez por este motivo, conciliar o estudos com trabalhar fora em período integral nunca foi meu forte. Então, encontrei no home office o modelo ideal de trabalho para mim.

Muitas empresas já aderiram ao home office como uma alternativa para cortar gastos desnecessários com funcionários que moram longe ou necessitam de um horário alternativo de trabalho. Infelizmente, a agência onde eu atuava não admitia este sistema  de trabalho muito bem. Mas, deixando de lado a necessidade de atualização e adaptação das empresas, trago aqui um pouquinho da minha rotina:


Dividir o tempo entre trabalho, estudo e lazer pode ser um problema se você não tiver disciplina.
Criar uma rotina ajuda: eu começo o dia com uma lista de tarefas, que incluem também os afazeres domésticos e pequenas pausas para lanches.

Sua família não compreende muito bem o tempo que você passa em casa.
"Você passa o dia todo sem fazer nada?"
Sim, exatamente! :) (falar o quê)

Nada de trabalhar na cama ou na sala. (e muito menos ficar de pijama)
Da mesma forma que meu marido se recusa a usar o escritório quando está em casa - afinal, ele passa o dia em um - eu não consigo jogar The Sims ou navegar quando estou no escritório, rs.

Alimentação e exercícios: saúde em primeiro lugar!
Nada de se acostumar com comidas congeladas e não se exercitar. Você já sabe o resultado disso, né?

Quem cedo madruga, Deus ajuda. Ou não.
Não é porque as outras pessoas levantam entre às sete para trabalhar que você precisa fazer isto também. Meu horário mais produtivo é de manhã, sem dúvidas, mas estar de pé antes das 8h é impossível para mim. Da mesma forma, para algumas pessoas, acordar tarde e trabalhar até às 4 da manhã funciona melhor. O que não vale é fazer jornada dupla sem descanso.

Isolamento leva à depressão.
Para quem é anti-social e/ou prefere um ambiente calmo para trabalhar, fazer home office é uma ótima forma de vazão aos seus desejos sombrios de se isolar da sociedade. Mas fica offline o tempo todo e recusar convites para almoços não faz bem à sua saúde mental.

Softwares e aplicativos de gestão podem te deixar viciado.
Principalmente se você já tiver mania de organização como eu. Sistemas e aplicativos colaborativos de gerenciamento de projetos como listas e planilhas fazem parte da minha rotina.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sobre Colar Grau

A colação de grau é uma cerimônia solene e simbólica que as faculdades oferecem aos alunos que estão se graduando. Eu, particularmente, nunca me dei muito bem com eventos formais. Não tive festa de 15 anos e não participei da minha formatura do ensino médio. Na 4ª série, tive uma espécie de cerimônia para encerrar o 1º ciclo do ensino fundamental, fui escolhida para ficar fantasiada de anjinho em cima do palco e confesso que não foi nada agradável. Sempre fui muito tímida e tenho um sério problema com ansiedade. Então, confesso, não estava muito empolgada para a colação de grau. Todavia, surpreendi-me: a energia dos estudantes é contagiante. E, mesmo sabendo que fazem isto todo ano e por mais de um dia, os professores e diretores se esforçam para parecerem alegres. Os pais se emocionam. E a organização do espaço, da música e tudo mais torna tudo muito bonito.



Mas calma, pois, como eu disse, é uma cerimônia simbólica. Para se formar, ainda é preciso eliminar as pendências em disciplinas, atividades complementares, estágio e trabalho de conclusão de curso. Ou seja: ainda tem chão, gente. Apesar de eu ter sido convidada a colar grau, conheci estudantes que ingressaram no curso há quase uma década atrás - acredito que para eles a emoção era ainda maior, não? Também conheci gente se formando pela segunda ou terceira vez (será que a emoção é a mesma?). Não sei se tenho pique para outra graduação, mas cogito fazer uma especialização ou cursos complementares - necessito. Meu marido está se preparando financeiramente para um mestrado, e ver a mesa dos professores o deixou mais motivado (que orgulho <3).




Financeiramente falando, vai dinheiro que nem água no término da faculdade. Apesar da colação ser gratuita, o serviço de fotografia custa horrores, ainda não sei se terei condições para isso, afinal, ainda tenho um semestre de mensalidade e preciso pensar nos gastos com o meu TCC. Baile de formatura esquece, nem pensar. Para quem gosta de uma festa, vale a pena investir no baile, mas eu não faço questão não, sinceramente. Minha mãe estava doida para comprar um anel de formatura, mas está aí outra coisa que acho desperdício de dinheiro, rsrs. Prefiro guardar num cofrinho para poder continuar estudando!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Desventuras em Série


Sou uma dessas pessoas que conheceram Desventuras em Série através do filme produzido em 2004 com Jim Carrey como protagonista e depois se apaixonou pela saga literária. Ainda não compreendo porque o longa não foi bem recebido pelo público, gosto muito do ator e adorei a forma como adaptaram os três primeiros livros da série - o elenco, os figurinos, a sonoplastia, os cenários, enfim - apesar de não seguirem a literatura à risca (mas qual adaptação o faz?). Fiquei realmente triste por não ter tido a merecida continuação.


Quando soube que a Netflix produziria a série, fiquei ao mesmo tempo emocionada e com um pé atrás. Cada mídia traz o seu encanto, todavia é inevitável não compararmos uma com a outra. Quem assistiu o filme tem uma visão diferente de quem leu os livros e certamente de quem preferiu esquivar-se de referências para assistir à série sem julgamentos. Como amante dos livros, posso afirmar que o teaser produzido por fãs em 2015 imprimiu com exatidão a nossa expectativa.


Assim que começaram a sair imagens das gravações, os burburinhos começaram entre os internautas, principalmente quanto à escolha dos figurinos, com cores vivas. Apesar dos trailers "alegres" e tudo mais, mantive minha esperança de que a série me surpreenderia com uma boa dose de humor negro, uma dramédia, uma áurea um pouco mais sombria. Diria que o roteiro foi bem dosado para criar uma série leve e cômica, num sentido irônico, "para toda a família", como aponta a crítica no site Jovem Nerd (aqui).



Todavia, concordo com a crítica da Veja (aqui) quando diz que os episódios se arrastam num "ritmo cansativo", impossibilitando a realização de uma maratona, como eu pretendia, e completa que "as diversas interrupções do narrador quebram o clima" tornando tudo mais didático que o necessário. Enquanto o filme produzido em 2004 foi criticado por condensar três volumes literários, a série dedicou dois episódios para cada obra, resultando em 8 episódios sobre as 4 primeiras obras de Daniel Handler, o que certamente foi uma boa escolha, mas mais uma vez concordo com a Veja ao dizer que "um formato mais livre" poderia tornar a trama mais fluída e ágil, sem perder a essência.


Sobre o elenco, minhas atuações favoritas foram a de Neil Patrick (Conde Olaf), da Joan Cusack (Juíza Strauss) e das senhoras gêmeas da companhia teatral. A família do  K. Todd (sr. Poe) também foi bem representada. Ainda não sei o que pensar sobre o Patrick Warburton (Lemony Snicket), o personagem não se revela muito nos livros, mas acho que vou acabar me afeiçoando ao ator. (Não tenho o que declarar sobre os demais atores, hahaha). E, apesar de amar os atores que representaram as crianças no filme, a realidade é que as crianças da série, representadas por Louis Hynes, Malina Weissman (fofa!) e Presley Smith, foram literalmente extraídas do livro - a Sunny continua sendo minha bebê favorita de todos os tempos! Queria que ela tivesse mais falas! rs


Os pontos altos e baixos da série dividem opiniões, mas aqui está uma listinha de 5 coisas que eu particularmente não gostei:


5 coisas que não gostei na série:

  1. A presença de musicais! Mas isto é de mim, não sou muito fã mesmo :P
  2. A intromissão constante do narrador, explicando cenas sem necessidade;
  3. Os efeitos especiais mal-feitos (propositalmente). Todavia, é compreensível que queiram acostumar nossos olhos para o que virá a seguir...
  4. Senti falta de mais maquinários para dar vida à cultura Steampunk (humm, apesar de que, na verdade, esta é uma forte característica do filme e não propriamente dos livros...);
  5. A inclusão de personagens que não existem nos livros (ok, aqui estou sendo a nerd chata).
Agora, uma coisa que realmente amei foi terem incluído as dedicatórias à Beatrice! E finalizo dizendo que estou ansiosa para a próxima temporada *-*

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Guia de Sobrevivência para Acampamentos em Grupo

Sim, inventei de acampar na virada do ano e, pior, viajar em grupo. Estava afim de novas experiências para aliviar a frustração de não ir para Extrema e porque não pegar estrada? Foi só ouvir que íamos para Minas Gerais que topei na hora, tamanha saudade da água gelada de cachoeira. Fomos num dia para voltar no outro, mas deu para aproveitar duas das 33 cachoeiras de Bueno Brandão. A pousada onde "acampamos" é uma gracinha, chama Mirante.

Pousada Mirante

Chalés encantadores e área para camping

Área social

Laisla, a mascote da casa <3

"Acampamos" está entre aspas porque, como todo ano, deu aquela tempestade e arruinou a brincadeira de muitos - alguns dormiram no carro, outros deram um jeitinho no alagamento e muitos que já não pretendiam dormir mesmo, madrugaram. O churrasco, que era o ponto alto da noite, acabou ficando em segundo plano. E a ideia romântica de cantar em volta de uma fogueira quentinha, esquece.

Mas, apesar dos imprevistos, valeu muito a pena. O dia seguinte foi nublado, mas muito mais proveitoso. E o gostoso é que daqui um tempo, se não já, vamos olhar para trás e rir de tudo isso. Conhecer lugares novos, fazer novas amizades e viver novas experiências: é isso que importa. Estar com um pessoal desencanado e bem-humorado tornou tudo melhor.

Cachoeira Machado

Queda d'água

Cachoeira Santa Rita
Eu e meu namorido não éramos os únicos acampando pela primeira vez. Lemos uma série de recomendações, mas a mais importante foi algo do tipo "por mais preparado que você pareça estar, um acampamento é sempre imprevisível", e veio a calhar. Espero que a minha experiência tenha te servido de algo, hahaha.

Click trash xD
O convite veio da Carlinha, minha aprendiz de Dança Tribal, organizadora da Feira Entre Mundos e super parceira. Na noite do revèillon ela disse que a chuva veio para lavar nossas almas, pois 2016 encerra um ciclo e, segundo a numerologia, 2017 é um ano de revoluções. Acontece que um dia desses topei com um artigo que falava sobre isso, e foi muito inspirador. Pela primeira vez em anos, sinceramente, não sei o que esperar para 2017, não fiz lista de metas e desejos nem nada disto. Mas aguardo a evolução!
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