segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Diálogos da Fotografia: Projetos Fotográficos - Documentação, Edição e Divulgação

Para falar sobre as oportunidades e tendências do mercado de fotografia, o Senac São Paulo realizou a 7ª edição do evento Diálogos da Fotografia, que contou com palestras, exposições, oficinas, mesas-redondas e workshops. Dentre as atividades oferecidas, tive a oportunidade de prestigiar uma palestra com o fotógrafo e editor Roberto Linsker com enfoque em projetos fotográficos, três grandes momentos e seus desdobramentos: documentação, edição e divulgação.
 

Roberto Linsker (São Paulo/SP, 1964) morou na Espanha entre 1967 e 1980 antes de se formar em geologia pela USP, em 1986, e estudar ciências sociais pela mesma instituição sem no entanto concluir o curso. Autodidata no campo da fotografia, colaborou com os jornais Folha de S. Paulo e Folha da Tarde e com as revistas Veja, Claudia e Caminhos da Terra, entre outras. Em 1994, fundou a Terra Virgem Editora, para a qual concebe, dirige e ilustra a série de livros Brasil Aventura.

Seu interesse pela fotografia de paisagens e natureza surgia na década de 70, quando viu pela primeira vez uma revista da National Geography. A princípio, usava a fotografia como uma ferramenta de trabalho e saía em expedições em grupo pelo mundo afora. Todavia, deu-se conta que não estava satisfeito com sua rotina de trabalho e mudou radicalmente. Roberto Linsker é um fotógrafo solitário, e a partir do momento que passou a usar a fotografia como fim, encontrou-se na profissão.

Dentre seus trabalhos, ele citou alguns que se destacaram. O trabalho que desenvolveu para um laboratório de saúde, por exemplo, visava enxergar possibilidades e não problemas. Para desenvolver o projeto Mar de Homens, Roberto passou dez anos percorrendo os litorais brasileiros. A série foi toda feita em preto e branco, para que se tornasse atemporal.


A fotografia começa com uma conversa. Uma história contada que precisa ser entendida.
O que ele mais frisou na palestra foi exatamente isso: a importância do tempo. Um projeto pode ser inédito ou denso, pode ter um valor comercial ou autoral, pode dialogar entre temas diferentes. Mesmo com planejamento, documentação, organização, cronograma de execução e orçamento, um projeto pode tomar rumos diferentes.
"O projeto tem que contar pra você aquilo que você acredita que o projeto seja." Roberto Linsker
Um bom fotógrafo sempre se pauta: busca trabalho, se oferece para assumir uma pauta. Conforme o projeto, é preciso uma avaliação preliminar das condições físicas, psíquicas e espirituais para execução do mesmo. E tempo, e orçamento, afinal, as histórias sempre acontecem longe de nós.

Num segundo tempo, ele falou sobre a edição e finalização do projeto, forma de apresentação e publicação. "A edição tem que ser cirúrgica", para isso é preciso eliminar o lado emotivo. Se necessário, esperar um tempo para se distanciar emocionalmente do projeto e assim olhar para a foto como uma imagem e não como uma lembrança. A ansiedade é inimiga de qualquer projeto.
"Fotografamos o que vemos e vemos o que somos." José Medeiros
O que mais gostei na sua forma de trabalhar foi a ousadia em desafiar os recursos técnicos. As pessoas se prendem tanto a equipamentos que se esquecem que o mais importante na fotografia é o olhar. Como Roberto disse, "quem viaja mais leve, vai mais longe".

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Rotina

Ouço o despertador apitar, mas ignoro seu chamado. Ainda é cedo demais para levantar da cama. E a cama está tão gostosa, com cobertores quentinhos e macios, a luz fraca das primeiras horas da manhã entrando pelas frestas da janela e inundando o quarto... e o cheirinho do meu moreno, adormecido ao meu lado. O chamo pelo nome e ele resmunga.

“Mor?”
“Hã?”
“Que horas são?”
“Sete horas.”

Tenho que levantar, tomar café da manhã, jogar uma água no corpo, preparar minha marmita, colocar ração para o gato, pegar o material da faculdade... tenho exatamente uma hora para fazer isto. Mas está muito cedo... talvez eu possa dormir mais uns quinze minutinhos.



Oito horas, saio de casa com a cara amassada de quem acabou de levantar. Os lábios ainda estão inchados e o cabelo, meu Deus, meu cabelo! Foi-se o dia em que eu me demorava a passar batom e delineador, escolher um brinco e outros apetrechos para me embelezar.

A vaidade abriu mão de mim. Cabelos por pintar, unhas por fazer. Preciso de um banho de loja. Necessito. Emagreci alguns quilos. Isso não é todo ruim, mas as roupas não estão me servindo. E meu moreno não gosta de mim assim.

E o estresse. Preocupação com a casa, com o trabalho, com a faculdade. Preciso dar conta de tudo, mas também preciso dar conta de mim. Que tempo? E ainda tenho que me lembrar de dar atenção para a família. Tenho que me lembrar de sorrir e ser simpática.

Tenho que me lembrar de respirar fundo e não gritar com a colega de faculdade que pensa que pode me tratar como se fosse minha chefe ou minha mãe. Já fiquei com dependência em algumas disciplinas nos semestres anteriores por não querer fazer trabalhos em grupo. Não posso deixar isso acontecer novamente. Respira, inspira, não pira.

Negócios são negócios, amizade à parte. Trabalhamos juntas, mas não quero sua amizade. Já tenho alguém com quem compartilhar minha vida. É a minha felicidade ao final do dia. Chegar em casa e desabafar um pouco, me largar no sofá, passar o final de semana de pijama. Voltar pra cama e dormir abraçadinho.

Estou bem assim, no meu mundinho.
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