sábado, 16 de julho de 2016

Cyberpsicologia

A última palestra que assisti foi com a Ariane Melo, psicóloga especializada em gameficação que atua na área de suporte aos jogadores de esportes eletrônicos. A sala contou mais com estudantes de Psicologia e algumas pessoas da área da Tecnologia da Informação, acredito que eu era a única do meio da Comunicação.

A grade atualizada do curso de graduação em Jornalismo na minha faculdade conta com a disciplina de Cibercultura, infelizmente não pegarei esta matéria porque sou da turma antiga. Eu, como conteudista para mídias sociais, posso dizer que esta é uma disciplina fundamental para quem pretende atuar na área de Jornalismo Digital.

O que é psicologia cibernética?


A psicologia cibernética estuda a relação do indivíduo com os dispositivos eletrônicos. Ao contrário do que se pensa, não é um conceito novo no mundo afora, seu surgimento se deu na década de 90, mas no Brasil não é muito estudado. Devido à carência de profissionais qualificados na área, é possível afirmar que nosso país não é preparado para lidar com crimes e doenças cibernéticas.

As relações sociais na cibercultura


As relações sociais na cibercultura acontecem através das redes sociais, games online, marketing digital e educação online e à distância, entre outros, dando origem a uma série de novas profissões – como os gamers, youtubers e blogueiros – e também a uma série de doenças e crimes no ambiente virtual, como roubo e clonagem de propriedade intelectual, crimes sexuais, cyberterrorismo e cyberbullyng. É importante considerar que o ambiente midiático – como vídeos, textos e imagens presente em games, sites e e-books – não induzem à criminalidade. É comprovado que os criminosos já têm uma pré-disposição para o ato e a plataforma apenas desperta este lado da pessoa. 

As redes sociais possibilitam a comunicação à distância com agilidade devido a sua acessibilidade, causando um efeito desinibidor no indivíduo e podendo levar a um comportamento narcisista. Essas consequências variam de acordo com a faixa etária e vivência do indivíduo. A criança, por exemplo, apenas reproduz o que vê, pois ainda não dota da capacidade de internalizar e refletir sobre com o quê interage. Já o adolescente tem uma grande necessidade de aceitação, sendo os alvos mais fáceis de cyberbullying, que muitas vezes leva a vítima a cometer suicídio. 

Outras reações adversas envolvem doenças como a technomania e até mesmo o inverso, a technofobia. Não só no Brasil como em todo o mundo, carecemos de agentes educadores e de segurança preparados para lidar com essas situações e prestar um suporte adequado à vítima. De qualquer forma, é muito importante denunciar conteúdos impróprios, a fim de promover um ambiente sociável saudável. 

Os relacionamentos virtuais também tem seu lado positivo e negativo. A possibilidade de conhecer pessoas novas é o lado positivo, é curioso o número de namoros virtuais que acabam em casamento, mas é triste quando observamos o lado negativo das relações doentias, que envolve relacionamentos superficiais, ocultação de identidade, confusão de sentimentos e ilusão de identidade, sendo necessário, inclusive, um tratamento com um psicanalista.


Concluindo, não basta jogar o artigo/notícia/vídeo na rede, tem que pensar no impacto que este conteúdo vai causar, como vai afetar as pessoas, levando em consideração que gente de todas as culturas, classes sociais e faixas etárias terão acesso. Consciência, averiguação da informação e responsabilidade são as palavras-chave para quem cria conteúdo para a web, e o mesmo vale para aquele que compartilha.
Created By Sora Templates