sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Mamães e Redes Sociais

Enfim, arrumei um novo emprego: sou estagiária de Mídias Sociais na Agência Carvalho. Basicamente, minha função é auxiliar uma analista na gestão das mídias de uma grande marca. Em outras palavras, eu respondo comentários. Minha supervisora é um amor de pessoa e tem um coração enorme. Eficiente, prestativa e multitarefa. O que é um alívio, pois se eu tivesse que trabalhar com uma pessoa chata, mandona e com mania de grandeza não ia durar muito lá. A marca à qual prestamos assistência exige muito da agência, mesmo terceirizando alguns serviços e a empresa do cliente tendo um departamento de marketing.

Sinceramente, apesar de estudar Jornalismo, me identifico muito com agências deste tipo, pela infraestrutura, pelo show de criatividade e pela rotina de trabalho. Não conheci muitas redações de jornal, mas as poucas que conheci foram aterrorizantes. Também consigo me ver trabalhando com comunicação organizacional, é uma área que me atrai bastante. Por enquanto, estou vislumbrada com o universo das redes sociais, até cogito fazer uma especialização na área. O processo não difere muito do que aprendi na faculdade: captam a ideia do cliente e montam um planejamento estratégico, aí pessoas como minha supervisora executam esse planejamento, o pessoal da criação cuida de toda a parte gráfico-visual (impresso e virtual) e pessoas como eu cuidam da parte MAIS importante: o relacionamento com o cliente final, haha.

Amo trabalhar com comunicação <3


Recentemente recebemos um e-mail do departamento de marketing da empresa do cliente com os resultados do trabalho realizado nas redes sociais em 2015. Mas, ao invés de um gráfico, me deparei com uma sequência de imagens no corpo do e-mail simbolizando as estatísticas. Fiquei super emocionada! (mesmo não tendo participado do projeto em 2015). Sobre o cliente em questão, tudo o que posso falar é que lido com mamães.

Nesta semana, tivemos um envolvimento de mais de duas mil mamães numa brincadeira online. Elas querem participar, demonstrar o amor que sentem pelos seus pequenos, e enviam vídeos e fotos de todas as resoluções aceitáveis, o importante é o registro. A necessidade que elas têm de registrar tudo (tudo mesmo!) é por que para elas tudo é único! Cada riso do bebê, os primeiros passos, a forma como ele dorme, como faz bagunça na hora de comer, como mamam.

Houve uma mãe em especial que criou um perfil no Facebook para seu bebê recém-nascido. Para muitos, pode parecer algo idiota, mas isso tem um significado muito maior. Para essa mamãe, mesmo que no inconsciente, essa necessidade de seu filho ter um perfil simboliza que ele é, de fato, mais um ser no mundo e por isso precisa estar no face, porque todo mundo está lá. Ela quer que ele participe, que as pessoas interajam com ele, que ele cresça e veja que participou de uma comunidade de bebês e que já tem amigos no mundo todo antes mesmo de ir para a creche. Não existem barreiras para a socialização hoje.

Fiquei pensando nos funcionários do Facebook, como devem lidar com todo tipo de gente e de casos! Trabalhar com pessoas é um turbilhão de emoções, mesmo que você fale por trás de uma marca. Elas querem compartilhar suas vidas, das alegrias às frustrações, com você. Por isso eu adoro meu trabalho.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Cinema Francês

Como disse em outro post, percebi que estava seguindo uma grande tendência em assistir produções francesas. Então, nesta semana me deleitei com uma seleção de filmes franceses e descobri que não é só a culinária, moda, arquitetura e o ballet que eu aprecio deste país! Ta aí: este é um dos primeiros países que eu vou conhecer <3

Des La Maison (2012)

Um rapaz de 16 anos consegue entrar na casa de um colega da sua aula de literatura e resolve escrever sobre o fato no seu trabalho de francês. Animado com o dom natural do aluno e o progresso do seu trabalho, o professor volta a apreciar a função de educador dos jovens. Entretanto, a invasão do aluno vai desencadear uma série de eventos incontroláveis.








Apesar da trama ser um tanto incômoda, por tratar de questões morais e tudo mais, fiquei encantada pelo filme girar em torno de questões literárias. Ao mesmo tempo que você acompanha a história primária, fica numa ânsia só de ouvir cada capítulo da história secundária narrada pelo jovem escritor. Um dos meus momentos favoritos foi quando o professor lhe dá uma primeira aula particular de criação literária, por falar das possibilidades textuais. Transcrevo abaixo:

"Começou uma paródia?
Leva ao ridículo o personagem para entreter o leitor, é isso?

Então é realismo?
Como por uma câmera escondida. Como se olhasse pelo buraco da fechadura.

Então é estilização?
Você escreve o que vê ou o transforma?"

Populaire (2012)

Aos 21 anos de idade, Rose Pamphule mora com seu pai e estar prestes a casar com o pacífico filho de um garagista. Ela poderia virar uma dona de casa, mas a jovem tem planos mais ambiciosos. Ela sai de sua cidade e tenta um emprego de datilógrafa no escritório de seguros de Louis. Mesmo se suas habilidades como secretária são fraquíssimas, o homem fica impressionado com a velocidade com a qual Rose consegue digitar. Logo o espírito competidor de Louis se desperta: ele decide aceitar Rose como sua secretária, contanto que ela treine para participar da competição de datilógrafa mais rápida do país.




Sou doida por máquinas de escrever e me arrependo amargamente de não ter surrupiado a da casa dos meus primos quando era criança e tive a oportunidade (eles não se importariam). Então, isso por si só já foi um grande empurrão pra eu querer ver o filme. Outra coisa que gostei é que o filme aborda a ascendência da mulher na sociedade, e a auto-realização do frustrado esportista Louis. O romance entre eles é inquietante, ficamos o tempo todo esperando que algo aconteça!

Le Passé (2013)

Depois de quatro anos de separação, Ahmad (Ali Mosaffa) retorna a Paris vindo de Teerã, a pedido de Marie (Bérénice Bejo), a sua esposa francesa, para finalizar o processo do divórcio. Durante sua breve estadia, Ahmad descobre a relação conflituosa de Marie com a filha, Lucie (Pauline Burlet). Os esforços de Ahmad para tentar melhorar a relação acabarão por desvendar um segredo do passado.







Basicamente, o filme gira em torno de uma mulher que está em coma há 8 meses por tentar se matar ao desconfiar que o marido estava tendo um caso. Apesar de só aparecer um tiquinho no final, sem dúvidas ela protagoniza o filme. O mais instigante é que a cada momento descobrimos um novo detalhe crucial sobre sua condição psicológica e o que a levou ao suicídio.

sábado, 9 de janeiro de 2016

De Férias Sim, À Toa Não

Estou acompanhando duas séries que estão sendo transmitidas pela Rede Globo: Houdini, sobre um icônico ilusionista, cujo último episódio foi ontem; e Ligações Perigosas, que é uma produção brasileira baseada num clássico da literatura francesa.

Curiosamente, trata-se de um romance constituído de cartas, e nesta semana li As Vantagens de Ser Invisível, depois de ver o filme, que também é de cartas. Aliás, o autor é roteirista e achei incrível o modo como ele conseguiu escrever um romance tão subjetivo considerando que foi sua primeira obra. 

Isso é difícil para os jornalistas, venho percebendo. Eles tem uma linguagem peculiar e são muito apegados aos detalhes que aprendemos nas aulas de técnicas de redação. E temo estar com indícios deste mal: fiquei super incomodada por não saber com clareza quem era o destinatário das cartas de Charles, protagonista de As Vantagens de ser Invisível.

Também percebi, pelo que ando lendo e vendo ultimamente, que estou seguindo duas tendências:
  1. Assistir produções francesas;
  2. Ler livros que viraram filmes e vice-versa.

As Vantagens de Ser Invisível entrou para a minha listinha de livros/filmes prediletos

Como sempre, minhas produções literárias sempre aumentam durante as férias. Além dos contos escritos e publicados aqui, também estou trabalhando na coluna Tribalizando para o blog Aerith Tribal Fusion e numa obra de não-ficção, para a qual dediquei uma tarde extraindo textos do blog.

Sobre meus projetos ligados a dança, estou tentando fazer contato com o responsável pela sala de dança do Espaço Cidadania para apresentar meu projeto de grupo regular de estudos contemporâneos em dança étnica. Além disso, vou ministrar um workshop de Tribal Fusion no Studio de Dança Camila Alcover, aqui em Extrema/MG, pelo qual estou muito ansiosa.

Aliás, Extrema se destacou numa pesquisa que aponta as cidades com os maiores índices de desenvolvimento do país, ocupando a primeira posição do ranking de 431 municípios, sendo exemplo de educação, saúde e emprego!

Passeando com a Lila no Parque de Eventos em Extrema/MG
Veja mais foto aqui

Apesar de estar morrendo de saudades da minha pituxa e doida pra voltar a estudar, sinto-me triste com a ideia de ir embora. Não quero ir embora. Queria trazer todo mundo para cá, inclusive minha faculdade e meu curso de inglês. É mais fácil ir pra São Paulo daqui do que de onde moro, se eu pudesse me transferir para uma faculdade de lá. É horrível me sentir dividida assim.

Eu poderia dar aulas de dança na minha casa, se ela fosse mais acessível. E poderia me dedicar mais ao blog e às demais mídias sociais se tivesse internet em casa. Sinto necessidade principalmente quando estou estudando, faz muita falta. Um automóvel também faz muita falta para percorrer as distâncias. É horrível estar sempre dependendo de carona.

Meu projeto de vida não mudou: quero arrumar um bom emprego, comprar meu carro, terminar a faculdade e me mudar para cá. Só espero que as coisas não aconteçam tarde demais.

P.S. Preciso urgentemente de um diário novo para 2016.

Emoticon g

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Apenas um Almoço

Saí do consultório com a receita na mão. Um misto de sentimentos contraditórios se confrontava dentro de mim. Até aquele ponto, tudo não passara de um relacionamento extraconjugal, mas, com um bebê a caminho, a situação tomara outras proporções. Precisava fazer alguma coisa, precisava colocar um ponto final nisso. Mas primeiro eu precisava que ele assumisse uma posição. E meu marido tinha que aceitar o divórcio, facilitar as coisas. Não aguentava mais toda aquela ladainha! Há tempo nosso casamento esfriara e ele sabia bem disso.

Liguei para meu filho.

- Preciso que você fique com sua irmã, tenho que sair.
- De novo? Aonde a senhora vai?
- Não é da sua conta, não se intrometa na minha vida. E não fale nada para seu pai! – frisei.

Prestativo como sempre, ele deixou a namorada e veio para casa. A garota poderia esperar, o assunto aqui era mais urgente. Ela já sabia de tudo, só não enxergava os fatos. Naquela semana mesmo havíamos conversado. "Estou sem dinheiro, tive que fazer uma caridade...", disse eu, quando ela tentou me vender mais uma das suas peças artesanais. Claro que ela não imaginava que eu me referia a seu pai. Fazia depósitos regulares em seu nome para ajudá-lo a pagar a pensão da filha, já que ele tinha que perder o dia de trabalho para me ver. Não é como se eu estivesse lhe comprando, só não queria que ficasse preocupado com horários.

Mais ou menos há um ano e quatro meses atrás havia discutido com sua filha e meu filho sobre nossa amizade. Ela queria que eu parasse de trocar mensagens com ele, mas resisti. "Se ele der em cima de mim, não darei corda, não se preocupe.". Doce ilusão. A coisa começou assim, como um bate papo, falávamos sobre trivialidades da vida. Até marcarmos o primeiro encontro, sem compromisso, um almoço. Ele era atencioso, me comprava presentes e exaltava minhas qualidades. Ele me fazia sentir jovem outra vez. Não demorou para que eu sentisse necessidade da sua presença, da sua voz, do seu toque. Ele dizia que me amava, que queria que eu fosse sua mulher.

"Vai dar tudo certo!" sorri para comigo, com a lembrança feliz fresca na memória e um friozinho crescente na barriga. Ele poderia até gostar da ideia. Poderia ser o pai que nunca foi para sua filha e eu seria a madrasta perfeita. Gostava dela, era uma boa garota, apesar de eu não considerá-la a mais apropriada ao meu menino. Ele tinha uma amiga de infância que eu sempre desejara como nora. Ela havia se casado e tomado outros caminhos. Mas nos reencontramos nos ensaios de quarta e fiquei sabendo que estava em processo de separação. Talvez houvesse alguma chance, afinal.

Ah, a música. Aprender a tocar um instrumento foi, talvez, o primeiro passo para me sentir autoconfiante e ousada o suficiente para fazer tudo o que fiz, para me sentir livre e viver um amor proibido. As aulas de música também me trouxera boas amigas. A mais próxima tinha um casamento aberto e me convencera de que estava tudo bem, eu não precisava me sentir culpada. Pena que o meu marido não se interessou por ela!

À espera do táxi, liguei para ele.

- Precisamos conversar. Você pode me encontrar?
- Quando?
- Hoje.
- Eu tenho que trabalhar...
- Eu ajudo você, fala de quanto precisa que eu deposito. Chegarei por volta da meio dia, nos encontramos no mesmo lugar.
- Tudo bem, mas não posso demorar muito.

Essa era uma das vantagens de namorar um comerciante: ele podia fechar a sua loja quanto bem quisesse, ainda que isso estava me custando deixar as minhas clientes na mão e ainda ajudá-lo financeiramente. Mas valia a pena, ele me dava toda a atenção que eu precisava. Ao contrário do meu marido, que priorizava o trabalho e estava sempre viajando.

Não é que eu não o amasse mais. Ele era um excelente pai de família e eu precisava fazer algo a respeito. Nosso casamento era comum demais, perfeito demais. Sem vícios, sem ciúmes, sem traição. Filhos exemplares, uma vida estável, casa própria, carro na garagem. Eu era uma mulher independente, uma profissional autônoma, uma católica devota, mas ainda tinha que cuidar da casa, ser uma boa mãe, uma boa esposa. Já era hora de jogar tudo isso pro alto, viver um pouco.

Chegamos pontualmente em nosso restaurante preferido. Logo ao avistá-lo, senti-me estranhamente excitada. Eu o desejava e ele sabia disso. Não tanto pelo homem que ele era, poderia ser qualquer um. Era mais pelo sabor do perigo. Sentia-me devassa. Não nos demoramos na conversa e fomos para o motel mais próximo, atropelando as horas, mais uma vez.

Ao se despedir, ele saiu todo apressado, pois estava atrasado para um compromisso e pela primeira vez me senti usada. Cheguei a minha casa quase noves horas da noite, meu filho havia cuidado da janta e inclusive botara a casa em ordem. Há tempo eu deixara os afazeres domésticos de lado. Em breve, meu marido chegaria do trabalho, me daria um beijo estalado nos lábios e se refugiaria no quarto, alegando estar cansado. Era sempre a mesma coisa. Esperei que meu amante ficasse online para continuarmos a conversa. Aliás, era um alívio que meu marido não se interessasse por redes sociais.

"Precisamos decidir", disse eu.
"Decidir o quê?"
"Sobre a gravidez. Preciso da sua ajuda."
"Eu vou cuidar de você."
"Você viu a receita, não tenho dinheiro para comprar remédios e não posso pedir pro meu marido. Já basta eu estar usando o convênio dele."

Esperei. Esperei. Mas ele demorou a responder. Impaciente, tornei a pressioná-lo. Às vezes era necessário recorrer a diferentes meios de comunicação.

"Você vai me ajudar?"
"Tenho minhas contas para pagar, me desculpe."
"Mas quando você precisou de mim eu te ajudei!", quis chorar.
"Eu sei, anjo."
"Para de ser egoísta. Você deveria dar valor às pessoas que realmente te amam."

Mas estava falando aos ventos, pois ele não me dava ouvidos.

Uma semana se passou e o natal se aproximou. Meu filho e a namorada passariam a véspera na casa dele. Apesar de sentir-me enciumada, incentivei-os. "Quero que olhe para meu filho e se lembre de mim. Queria estar aí, mas pelo menos terá um pouco de mim com você e um pouco de você comigo.", disse eu, lamentando o infortúnio. “Mesmo longe, estarei de olho em você! Se comporte” reforcei.

Tinha esperanças de que, no próximo natal, estaríamos juntos, mas já não me sentia tão segura assim. Meses atrás, eu havia tomado a decisão de que não desistiria dele. Estava apaixonada. Não por ele, mas pelo que a gente vivia. Então, quando a coisa desmoronou, a insegurança bateu na porta e me dei conta... ainda que não quisesse acreditar, eu estava sozinha nessa.

Foi no sábado à noite após o natal. Recebi uma mensagem curta do meu amante me informando que eles descobriram. A menina leu nossas conversas no celular do pai. Intrometida. “Mas o quanto eles sabem?”, questionei. “Tudo”, foi a resposta.

Passei o dia em agonia, esperando. Em breve meu filho entraria pela porta, me colocaria para fora de casa e minha vida estaria arruinada. Eu precisava pensar num plano, preparar minha defesa, mas nada me vinha à mente. Esperei, esperei. Mas ele não apareceu, disse que ficaria na casa da namorada. Um medo repentino tomou conta de mim... Ele não vai mais falar comigo. Ele não vai mais voltar pra casa. Ele me odeia.

Segunda-feira. Ele chegou do trabalho e passou por mim direto para seu quarto, sem dizer nada. O que vi em seus olhos me apunhalou: estava preparada para tudo, menos isso. O desprezo. A decepção. E tudo o que passei com ele, havia esquecido?

- O que você sabe? – questionei. Ele parecia frio e distante. - Não importa. Você não tem provas.
- E se eu tiver? – encarou-me e me senti encolher de humilhação.
- Conta! Vai lá, conta pro seu pai! Ele ficará contra você, isso eu garanto. – Intimidei-o, tentando soar ferina.

Mas ele se manteve implacável. Sem retrucas, apenas o olhar de ódio. Com quem aprendera isso?

- Vou me matar. Não aguento mais! Não quero mais viver e causar sofrimento para os outros! – explodi.
- Suas ações vão influenciar diretamente na vida da minha irmã. Pense nela, primeiramente.

Não me contive e desatei a chorar. Por mim já havia saído daquela casa, mas não podia deixar minha garotinha. Reclusa em meu quarto, mais uma vez meu marido tentou me acudir. Sua preocupação constante, sua devoção só piorava as coisas, fazia eu me sentir um lixo.

- Você é um burro! Idiota! Inútil! – urrei contra ele.
- Você precisa de ajuda. – foi tudo que me disse.

Então, começou a juntar minhas coisas, dizendo que eu teria que ir embora. Mas, passado a raiva, ele desistiu, não teve coragem.

E justo neste momento em que eu mais precisava de atenção, meu amante passou a me ignorar. Nunca me senti tão sozinha. As dores na barriga aumentavam a cada dia e eu sabia que se não fizesse alguma coisa iria perder o meu bebê. “Preciso de uma posição sua. Vai me ignorar? Então sua filha manda em você?” questionei-o. “Só Deus pode nos julgar!”. Ele não podia jogar para o alto tudo o que vivemos juntos com tanta facilidade. “Você realmente não se importa?” tornei a pressioná-lo, mas não obtive retorno. “Vão nos colocar frente a frente, você vai negar? E não adianta se esconder debaixo da saia da sua irmã!". A raiva crescia e tomava forma dentro de mim. "Acha que está certo o que está fazendo? Pense nisso."

Pensei realmente em me matar. Pedi para Deus me levar. Era horrível me sentir abandonada. Meu coração me traiu. Justo eu, que sempre fiz tudo para ajudar quem precisa, no momento que mais precisei, deram as costas para mim. Que sentido tinha a vida?

A garota me bloqueou em quase todos os perfis sociais, mas eu ainda podia visualizar suas fotos. Era melhor que não o tivesse feito, ver a família reunida e feliz só me machucou mais. Meu filho tinha uma nova família, não pude deixar de pensar. Ele escolhera ficar do lado do sogro... Todos eram inocentes, só eu era a vilã. Não podia pagar por tudo sozinha, ser crucificada por todos. “Fala pra sua filha parar de ser essa criança mimada e intrometida, a vida é nossa... seja homem! Seu medroso! Covarde!”, ataquei-o. E então, diante do seu silêncio, senti ódio.

O sentimento foi tão forte que refletiu em meu estado físico. Senti o sangue quente escorrer entre minhas pernas e corri para o banheiro, com uma dor sufocante no pé da barriga. Quis gritar, mas não pude, estava com falta de ar. Era tarde demais, eu sabia. Deixei que as lágrimas irrompessem dos meus olhos, não sabia se chorava de tristeza ou de ódio. Eu tinha duas opções a partir dali: tentar reconstituir a minha família, aprendendo a amar meu marido novamente, ou ir embora daquela casa e começar do zero, uma vida nova. Em qualquer das opções, uma coisa era fato: eu tinha que ignorar o que vinha acontecendo nos últimos cinco meses, eu tinha que deixar aquela família em paz. A palavra-chave aqui era amor próprio.

Deitei-me na cama e abracei os joelhos, esperando que tudo aquilo passasse. No que eu havia me tornado? Até que ponto cheguei? Por que fiz isso com a minha vida? Mas não havia respostas claras ao meu alcance. Só um vazio, escuro e eterno. Não percebi em qual momento exatamente adormeci, só sei que acordei com um leve cafuné na cabeça e quando abri os olhos meu marido sorria para mim. Minha cara devia estar péssima, por que sua expressão era de pena. Mas, por trás da pena, eu vi amor e sinceridade. Ele sabia de tudo, sabia que tinha outro e sabia também que havia acado. E naquele momento eu soube que, apesar de tudo, apesar de não ser o homem dos meus sonhos, ele nunca me deixaria na mão. Mas de nada adiantaria seu perdão, se eu não conseguisse me perdoar.

Na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe.

Projetos Literários 2016

Momentos dos Delírios

Romance de Ficção Juvenil
2ª edição


Sob os Olhos de Natasha

Romance de Ficção Juvenil
Publicação Independente


Paixonite

Contos
Publicação Independente


A Dançarina e o Dragão

Romance de Ficção


Possíveis apoiadores:


A Pequena Escritora

Romance de Não-Ficção (diário/série)

Possível Editora:

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

As Namoradas do meu Pai

Meu pai é bonito, charmoso, atencioso. Cozinha bem, cuida da casa (à seu modo). Mas, acima de tudo, é um bom ouvinte. E o que mais tem por aí são mulheres carentes de atenção... Não gosto de termos como “mulherengo” ou “pegador” para descrever meu pai, pois soa como se ele desvalorizasse as mulheres e não é isso que acontece. Ele cuida delas. Mas ele não pode abrir os braços para qualquer uma, principalmente se ela for menor de idade, usuária de drogas ou casada. Espero que com suas desventuradas experiências passadas ele tenha aprendido a lição...

Amores, ele teve poucos, mas mulheres, muitas. Minha mãe não foi a primeira e muito menos a última. Todavia, ela foi especial. Ainda hoje, depois de mais de 15 anos separados, eles se chamam de “pai dos meus filhos” e “mãe dos meus filhos”. É isso mesmo: nenhum dos dois teve filhos com outros parceiros, e não foi por infertilidade, mas por cuidado, precaução. Proteção, sempre! Há não ser por sua terceira (?) esposa, que durou em média três anos. Com esta ele quis filhos. Ainda bem que não teve.

Antes da minha mãe houve o seu grande amor. Meu pai tinha o belo hábito de escrever poesia. Muitos destes textos eram endereçados ao seu amor ou à minha mãe. Mas a terceira esposa se desfez de todos os cadernos, o que o deixou muito triste. Entretanto, com a era das redes sociais, meu pai aprendeu a brincar com as palavras, formar desenhos, compartilhar gifs. E não há nada mais gostoso que receber elogios pelo que escrevemos! Assim, ele semeia versos, citações e versículos bíblicos para todas suas amigas virtuais. Todas são especiais. Ele nunca deixa um aniversário para trás!

Com as redes sociais também vieram as namoradas virtuais, dos mais diferentes lugares. Ontem mesmo, uma amiga distante ligou pedindo consolo, pois seu ex-marido estava num leito de hospital. E também tem as que moram mais próximo, e com essas dá para marcar encontros. Todas conhecem seu endereço e são bem vindas para visitá-lo, seja de passagem ou para se hospedar temporariamente. Teve aquela de Santos que quase virou noivado. Engana-se quem pensa que ela é praieira. Menina recatada, evangélica e... virgem. Viram-se poucas vezes, mas conheceram a família um do outro e fizeram planos para o futuro. Ele a queria como companheira, mas avisei-lhe “você não está casando só com a filha, mas com a mãe também!”. E acho que foi essa mãezona que acabou ruindo o relacionamento.

Antes da terceira esposa, lembro-me de bem poucas. Mas a que mais gostei foi uma aspirante a cabeleireira que passou uns dias morando conosco, pois estava tentando se divorciar do marido. Era mais uma amiga da família do que namorada, mas considerando que nem prima escapou, então ela pode entrar pra listinha. Ela criticava tudo o que eu fazia: desde limpar a casa, cozinhar ou cuidar de mim mesma. Mas era ótima para conversar sobre garotos! E eu não ficava tímida para fazer perguntas íntimas para ela. Estava no pico da adolescência, com aquela curiosidade obscena de querer saber das coisas.

Depois da terceira esposa, teve uma senhora que parecia mais a mãe dele. Ficava preocupada com sua alimentação, deixava a casa um brinco, mas morria de ciúmes do computador. “Você não dá atenção para mim!”, reclamava ela. Depois descobrimos que ela era mais velha que ele. Todavia, por outro lado, ela era dócil e carinhosa. Ainda assim, suas expectativas foram quebradas e, quando viu que não daria em nada, largou tudo e foi-se embora.

Agora eu cresci e não é a mesma coisa. Todas queriam conhecer a garotinha bonitinha do papai. Agora ficam sem graças e com um pé atrás. Talvez por que já basta a irmã ranzinza dele, que põe suas namoradas contra a parede. Nesta semana mesmo, ele estava de encontro marcado, mas até agora só tomou bolo. Aiaiai, eu havia me esquecido de como é casa de homem solteiro, especialmente meu pai. Mas, sinceramente, depois da experiência de ter MÁdrasta, prefiro mil vezes meu pai solteiro!

A Chris* não deu as caras, mas amanhã virá a Mi*. Perguntei a ele como a Mi era e a única descrição que ele me deu foi “ela usa óculos”. Acho que isso já diz tudo! Mas eu queria mesmo era conhecer a Chris, gostei dela. Arruma a casa, cozinha bem, ajuda com as contas. Ajudar com as contas é quase que um requisito para ser namorada do meu pai.

Não duvido que ele chegue à casa dos 60 com uma namorada de trinta, mesmo que eu me negue a dividir minha herança. Meu irmão não acha nada bonito esse comportamento do pai, apesar dos dois se parecerem muuuuuito. Não é que eu aprove, mas aprendi a aceitá-lo e amá-lo deste modo, desde o dia em que ele me disse que nenhuma mulher ocuparia meu lugar, “as mulheres podem ir e vir, mas você será minha filha para sempre”. sz


* Os nomes reais foram trocados para conservar as identidades dos personagens.

A Chatice dos Processos Seletivos para Programas de Estágio

De tempos em tempos tiro uma tarde só para pesquisar vagas e programas de estágio online. Sites como Page Talent, Vagas, Cia de Talentos, Cia de Estágios, Nube, CIEE e etc, apesar de bem organizados, confesso que depois de algumas candidaturas a coisa vai ficando bem maçante. E por mais que crio alertas de vagas, dificilmente sou avisada dentro do prazo, então o jeito é ficar de olho mesmo.

Eu sei que faz parte da rotina e cada etapa do processo seletivo tem um peso fundamental na decisão final. Mas será que não existe uma maneira de tornar isso um pouco mais dinâmico pra gente não precisar ficar reescrevendo a mesma coisa mil vezes para cada vaga que nos identificamos? Estou quase preferindo andar debaixo do sol quente com uma pilha de currículos impressos na mão. Fora que...


Alguns processos é uma completa perda de tempo.

- Inscrições encerradas!
- Seu currículo será arquivado e quando surgir uma vaga compatível entraremos em contato.
- Você já nos enviou o seu currículo e não aceitamos recadastramento!
- Não há vagas para o curso selecionado!
- Não há vagas para a região selecionada!
- Existe uma oportunidade para seu perfil em RIO DE JANEIRO
- Digite seu RG com pontuação.
- Digite seu RG sem pontuação.
- Necessário anexar carta de recomendação!
- Sua foto está acima das dimensões recomendadas.
- Sua foto precisa estar em extensão .JPEG ou .GIF
- Sua foto está abaixo da resolução recomendada.
- Escreva sua experiência em 4000 caracteres.

E aí vem os testes com pelo menos 30 questões, parágrafos extensos e contagem de tempo...

- Teste de Inglês
- Teste de Português
- Teste de Lógica

E, apesar de se tratar de um programa de estágio, quem tem experiência sempre se sobressai.

- Vivência Exterior
- Trabalho Voluntário
- Projetos Acadêmicos

As etapas do processo são tão exaustantes que quem passa por ele deve chorar de emoção. E quem chega perto mas não passa deve se matar de frustração.

- Inscrição online
- Testes online
- Avaliação de portfólio online
- Entrevista coletiva online
- Dinâmica de grupo presencial
- Entrevista individual presencial
- Processo admissional

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Infortúnios Acontecem

Sei que estou um pouco atrasada para meus posts de rotina, mas aconteceram coisas grandes na minha vida que mereceram minha atenção, pois poderão render mudanças dramáticas em breve. Passei alguns dias de cama, curtindo minha solidão, até decidir que não me meteria em problema de gente grande, se é que me entendem. “Os adultos que resolvam!”.

Resolvi assinar uma declaração de ausência para o mês de janeiro e tirar férias do meu curso de inglês. Há tempo queria passar uns dias na companhia do meu pai, coisa que não faço há anos, considerando que sempre viajo acompanhada do meu namorado nos últimos dois anos e que, antes disso, ele estivera casado por cerca de três anos. Agora é diferente: tenho a casa toda para mim e nenhum terceiro entre eu e meu pai. Assim espero, pelo menos.

Também pela primeira vez em anos passei o natal em família. Ver meu pai e minha mãe juntos depois de mais de quinze anos da separação me deu um calorzinho gostoso no peito, ainda que eles não parassem de brigar um minuto. E meu irmão, que há tempo evitava a cidade e meu pai, curtiu a viagem ao extremo na companhia dos seus amigos de infância. Fez-me lembrar de como era a vida entre meus sete e nove anos, quando morávamos na cidade, eu e meu irmão brincávamos na rua e meu pai aparecia de surpresa para a janta.

Percebi que a dança estava ocupando um patamar na minha vida que não cabia a ela. Não posso negligenciar meus estudos, minha família ou meu relacionamento por um hobbie. Ainda que de passatempo tornou-se um ofício, não tenho tanto retorno além do prestígio. Danço por prazer, ministro aulas por prazer e escrevo por prazer. Essas atividades não deveriam se tornar estressantes. Mas foram tantas as frustrações que pensei sinceramente em parar tudo. Deletar meus perfis sociais. Aí caiu a ficha de que isso não é possível: a dança já faz parte de mim, de quem eu sou.

Apesar dos contratempos, não desisti do inglês, não tranquei a faculdade. Enquanto eu tiver família – e amigos, sei que eles não me deixarão desamparada. E como é bom estar rodeada de pessoas que nos amam! É esse amor que me alimenta, que me motiva. Meu alicerce, o fundamento da minha estrutura, minha base, sempre sólida. Por isso, ao reorganizar minhas prioridades, estabeleci: FAMÍLIA está no topo da minha lista.


Top 10: Retrospectiva 2015

  1. Cursei o 4º e 5º semestre do curso de graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Faccamp;
  2. Conclui o nível intermediário em Inglês pela Wise Up;
  3. Produzi meu primeiro evento voltado para dança, “Hafla Tribal & Ventre” com mostra de dança, show de derbak e comidas típicas;
  4. Promovi encontros entre dançarinas de Tribal e simpatizantes através do projeto “Tribal no Parque”;
  5. Produzi minha primeira videodança experimental e independente, “Corpo, Casa,Cosmo”;
  6. Publiquei resenhas sobre eventos ligados a Dança Tribal no blog Aerith Tribal Fusion, uma das principais referências do meio no Brasil;
  7. Publiquei artigos e anedotas sobre Dança do Ventre no portal Central Dança do Ventre, uma das principais referências do meio no Brasil;
  8. Participei da gravação de três programas experimentais como apresentadora e repórter para a Web TV do curso de Comunicação Social pela Faccamp.
  9. Ministrei aulas regulares, workshops e masterclass de Dança do Ventre e Dança Tribal para iniciantes no Studio de Dança Vanessa Tâmega (Jundiaí/SP), Núcleo de Artes e Cultura Anjos ao Resgate (Várzea Pta/SP), Cia de Dança Evolution (Várzea Pta/SP), Escola Estadual Idoroti de Souza Alvarez (Várzea Pta/SP) e no Espaço Cidadania (Várzea Pta/SP);
  10. Apresentei-me em festivais, confraternizações, eventos públicos e privados, dentre eles dois aniversários, o 1º Festival de Dança de Várzea Paulista, a mostra de artes da disciplina de Estética e Histórica da Arte do curso de Comunicação Social da Faccamp, o Gothla Brasil que ocorre no Rio de Janeiro, o Nature Mystic, a Caravana Cultural da cidade de Jundiaí, o Haggadah da paróquia Santa Joana D’Arc, entre outros.

Top 10 Metas para 2016

  1. Estágio em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo
  2. Freela em Mídias Sociais e Fotografia
  3. Aulas de Dança do Ventre no Studio de Dança Vanessa Tâmega (Jundiaí/SP);
  4. Workshop de Tribal Fusion no Studio de Dança Camila Alcover (Extrema/MG);
  5. Formação de grupo de estudos contemporâneos sobre dança étnica no Espaço Cidadania (Várzea Paulista/SP);
  6. Coluna mensal no blog Aerith Tribal Fusion;
  7. Produção de videodança solo em Extrema/MG;
  8. Integração no grupo de apoio na organização de eventos da Cia de Dança do Ventre de Várzea Paulista;
  9. Promoção do encontro “Tribal no Parque” em Várzea Paulista/SP;
  10. Participação no Festival de Dança de Jundiaí, Várzea Paulista e Extrema.

Um Dia Perfeito

Quando acordei, a casa estava arrumada, meu pai havia lavado os tapetes, passado o café e deixado uma caneca de café com leite quente para mim. Na noite anterior, adormeci lendo As Vantagens de Ser Invisível e comendo bolachas waffer geladas com recheio sabor limão. Publiquei uma montagem no Instagram com a minha retrospectiva de 2015 e escrevi um post sobre o tema, acrescido das minhas metas para 2016.

Estou me sentindo em paz. Não tenho pressa para levantar da cama, não tenho hora pra chegar a lugar algum. Mas preciso lavar a louça, arrumar minha cama, preparar minha coluna no blog da Aerith e ver com a Camila se faremos o workshop de Tribal Fusion no studio dela. Sinceramente, é o primeiro dia que me encontro sozinha aqui, mas já não quero ir embora. Só de pensar em voltar para aquela vida conturbada, sinto cambalhotas no estômago.


Created By Sora Templates