quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Semana de Cursos da FACCAMP e Palestra sobre Fernando Pessoa

Esta é a Semana de Cursos da FACCAMP (Faculdade Campo Limpo Paulista) onde contamos com uma programação diferenciada com palestras e oficinas com professores convidados e profissionais da área, de acordo com cada curso da faculdade.

Sinceramente, a grade do curso de Comunicação Social não me interessou muito, mas, como sempre, adorei os temas presentes na grade das turmas de Letras, História e Administração, então, fiz um cronograma personalizado para mim:

Quarta-feira (23)
19h30
Um Olhar Caleidoscópico e vanguardista para a sociedade: as múltiplas personalidades de Fernando Pessoa (s)
Dra Jaqueline Massagardi Mendes
Quinta-feira (24)
20h
Cultura Celta: um dos princípios da cultura inglesa.
Dra Jaqueline Massagardi Mendes
21h
Empreendedorismo Feminino: em um mundo masculinizado, como as mulheres conquistam seu espaço?
Dr Mauro Elias Gebran
Sexta-feira (25)
19h30
Contabilidade para pequenas e médias empresas
Adriano Gilioli

A Dra Jaqueline Massagardi foi professora do meu namorado em seu curso de pós-graduação em Gestão de Pessoas, então estava curiosa para conhecê-la, principalmente por que ela é esposa de um dos integrantes da banda de rock celta Tehilim, que tive a oportunidade de prestigiar na última edição da Feira Medieval Entre Mundos, que acontece anualmente aqui na minha cidade (Várzea Paulista/SP).

Graduada, mestra e doutora em Letras (Filosofia e Língua Portuguesa), deu para perceber que gosta muito de estudar etimologia, pois durante toda a sua palestra ficava desconstruindo as palavras, recorrendo a diferentes possibilidades de significantes. Minha professora de Língua Portuguesa, Sônia Berti, também é assim.

Para compreendermos Fernando Pessoa, Dra Massagardi discorreu sobre diferentes manifestações artísticas ao longo do século XX e que antecedem ao cubismo, como o futurismo, expressionismo e dadaísmo. Além disso, fez uma espécie de psicografia dos poemas do a(u)tor (como ela gosta de chamá-lo) e falou sobre seus heterônimos (que é mais que pseudônimo). Para finalizar, deixou-nos uma reflexão sobre a sociedade multipolar e questionou-nos se não estávamos vivenciando isto no presente momento.

“A arte é um grito antecipado do povo” Jaqueline Massagardi Mendes

Identifiquei-me muito com sua pessoa, seu estilo de ministrar uma aula. Principalmente por que sempre fui apaixonada pelas palavras e, especialmente, pela língua portuguesa. Curiosamente, quando eu tinha cerca de oito a nove anos, comecei a ampliar meu vocabulário inspirada pela leitura do livro Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga, cuja personagem colecionava palavras. Assim, sempre que via uma palavra nova que me interessasse, ou que achasse muito bonita, anotava em meu caderninho e pesquisava seu significado no dicionário para transcrever à frente, além de seus respectivos sinônimos. Foi assim que o termo “todavia” entrou em minhas redações, acredito que era a única do ensino fundamental (e talvez ainda seja, agora no ensino superior) que fazia uso desta palavra tão esquecida.

Estou ansiosa para assistir a palestra de hoje, por gostar da cultura inglesa e, especialmente, da cultura celta, mas também pela palestrante. Depois, seguirei com a palestra sobre empreendedorismo feminino que, curiosamente será ministrada por um homem (sem preconceitos, juro!).

domingo, 20 de setembro de 2015

Andando a Esmo

Às vezes, é assim que me sinto: caminhando em círculos, correndo sem sair do lugar, andando a esmo e todas essas expressões chulas que dão início às palestras motivacionais.

Faz dois anos que estou na faculdade, mas fora a minha primeira oportunidade de estágio, não passei em nenhum processo seletivo desde então. O mesmo acontece com relação à dança, não consigo fixar-me num lugar, ver minha turma avançar de nível. Estou super triste por ter desapontado as minhas alunas, que estão comigo desde o início do ano. Com os eventos não é diferente: difícil formar um público. Também tentei trabalhar de forma autônoma, arrumar alguns serviços freelancers, iniciar projetos ligados à dança e/ou literatura em espaços culturais, bibliotecas, escolas públicas. Nada.

Sinto falta de ter meu próprio dinheiro. Comprar as coisas que cobiço. Ser mais independente. Queria poder ajudar mais a minha família. Recompensar todos os esforços que a minha mãe já gastou comigo. Finalmente tirei a minha habilitação para dirigir, com o pensamento positivo de que conseguiremos pelo menos um carro velho e usado para quebrar um galho: levar minha mãe para fazer despesas pra sua mercearia, não vê-la mais carregando as coisas nos braços; fazer em vinte minutos o trajeto da minha casa ao studio de dança que levo quase duas horas de ônibus; em finais de semana quentes como este, fazer um passeio com a minha família.

Prometi a mim mesma que iria começar a cultivar novas amizades, e estou fazendo isso. Marquei presença na casa de diferentes amigas neste mês, coisa que não fazia há séculos. Mas não posso convidar ninguém para vir a minha casa, por problemas com a infraestrutura do meu bairro.

Eu e o meu namorado estamos planejando morar juntos. Será uma boa ele ter seu próprio cantinho, ele tem condições para isso. Mas não sei se quero ir com ele. Não para ficar nas custas dele. E por que eu sempre quis sair de casa para ter o meu próprio canto, não pra ir pra casa de outra pessoa. Além disso, ele e a minha mãe não se falam, e é horrível me sentir como se estivesse escolhendo entre um e outro.

Não gosto quando decepciono as pessoas. Ou quando tentam se aproveitar de mim. Fico péssima quando brigam comigo. As coisas não estão legais na faculdade, sempre fico sobrando na hora de formar um grupo de trabalho. Também não estou evoluindo no inglês, a escola é ótima, eu que sou péssima com isso, e não está sendo nada barato fazer este curso. Apesar de receber elogios dos professores de que minha produção está na média esperada, gostaria de fazer melhor do que isso. O limite, para mim, é a nota máxima. Não gosto desta coisa de média.

Se eu não tivesse a ajuda de terceiros, não estaria mais na faculdade agora, e isso me envergonha, pois me sinto na obrigação de fazer as coisas direito, como se tivesse ganho uma dessas bolsas do governo. Tenho poucos amigos sinceros. Mas não dá para contar com eles pra tudo. Às vezes tudo o que eu queria era ter alguém pra conversar sobre tudo, sem omitir informações, esconder meus sentimentos com receio de receber julgamentos.

Acho que não tenho ninguém assim.

Às vezes dá vontade de desistir tudo. Ficar na cama e esquecer que existe um mundo lá fora. Desistir da dança. Desistir da literatura. Desistir dos relacionamentos. Meu namorado diz que não tenho amigos por que sou chata. Acho que ele está certo. Podia desistir do namoro também, poupá-lo da minha chatice.

Desistir de viver, quem sabe. Mas não posso, não quero decepcionar as pessoas. Quero que meus pais me vejam formada. Quero poder acompanhar meu namorado numa viagem ao exterior. Minha eterna professora de dança ficaria muito triste se me visse desistir de tudo que ela me ensinou.

Acho que a diferença quando você é financeiramente independente é que não deve satisfações a ninguém do que faz com o seu dinheiro. Poderia ter reprovado no exame da habilitação sem receio por que quem pagaria um novo exame seria eu, por exemplo.

Mas não posso, não posso, não posso.

Não posso amar as pessoas que eu quiser.
Mas ninguém me ensinou a receita para esquecer.

Uma vez eu fiz uma lista de coisa para fazer quando me sentisse depressiva. Ler, dançar, ouvir música, comer chocolate, tomar sorvete, beber algumas taças de vinho, aproveitar o ar livre, ficar sozinha sem nada cortante por perto. Não tomar decisões, não falar com ninguém, evitar sair de casa, principalmente para tarefas importantes.

Às vezes funciona, às vezes não. Desta vez não funcionou, já fiz merda. De qualquer forma, no final tudo passa, pelo menos fico mais racional. O jeito é esperar essa razão me preencher e torcer para que no mês seguinte esse turbilhão de sentimentos não me abale novamente.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Organizando meus Livros

Acordei inspirada! Passei o dia desencaixotando meus livros, cadernos, CDs, DVDs e games, tirando a poeira deles e organizando-os decentemente na minha prateleira improvisada.




Na falta de uma boa estante de livros e uma escrivaninha, habituei-me a guardá-los em caixas e usar o notebook no colo. Mas, justo eu que prezo por uma boa organização, me vi descontente com a situação em que meus arquivos e documentos se encontravam. Por isso, fiz uma boa limpeza em meu quarto e levei-os para outro cômodo, onde uma estante de ferro e uma velha mesa de cozinha jazia sem uso.

Comédias românticas, em especial os títulos de Meg Cabot, Marian Keyes e Sophie Kinsella; literatura infanto-juvenil; livros didáticos de literatura e língua portuguesa; livros técnicos sobre fotografia, administração, psicologia e comunicação; revistas femininas que marcaram minha adolescência, como a Atrevida, Capricho e, do início da juventude, a Gloss; CDs e DVDs de músicas, filmes, peças de teatro; minha coleção de The Sims, meu jogo favorito; e o mais importante de tudo: meus rabiscos, rascunhos de livros, enquetes do tempo da escola, cadernos de lugar-comum, diários escritos a mão desde meus seis/sete anos de idade e, minha maior motivação, os últimos exemplares do meu romance publicado.


Deu um up na auto-estima ver meus tesouros, minhas fontes de inspiração, enfileiradinhos numa das prateleiras da estante. Ainda está um puco bagunçado, ficou faltando duas caixas para desempacotar, mas só de avistar os títulos já estou feliz da vida.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Manicure de Luxo


Está difícil encontrar boas profissionais em unhas. Muitas manicures trabalham em casa, por gosto; para agregar a sua função principal como cabeleireira, em salões de bairro ou trabalha nos salões dos outros para contar com uma renda extra. Todavia, não buscam investir na área, fazer algum curso de formação ou aperfeiçoamento ou até mesmo comprar as ferramentas certas para o ofício. Acredito que isso se aplica a outras profissões da estética, mas a pauta aqui são as manicures. Li uma vez que o mercado de beleza é um dos que mais fatura no Brasil, mas, sinceramente, também é um dos que mais peca quando se fala em profissionais qualificados.

Certa vez, cansada de jogar dinheiro fora, procurei um centro de estética especializado para fazer minhas unhas pelo dobro do preço que eu pagaria num salão de bairro. Cheguei no horário marcado, a recepcionista me pediu para preencher uma ficha de cadastro e aguardasse. Em seguida, me levaram para fazer um tour no espaço antes de me deixarem na sala da manicure, onde mais uma vez me aconcheguei no sofá para esperar a minha vez.

Logo de cara, surpreendi-me por que ela era uma senhora. Dificilmente vejo manicures com mais de cinquenta anos atuantes no mercado, mas o preconceito traiçoeiro não demorou a bater na minha porta: “quanto mais velho, mais experiência tem, não?”. Resolvi fechar os olhos e entregar minhas frágeis mãos àquela doce senhora, e a primeira coisa que ela me contou foi que começou a trabalhar depois que se aposentou, para matar o tempo.

Começo sempre da direita para a esquerda! Da direita para a esquerda!", repetia sem se cansar. Do mindinho da mão direita para o dedão. Do dedão da mão esquerda para o mindinho.

Terminado a preparação básica das unhas, ela me mostrou sua vitrine de esmaltes. Uma espécie de mostruário de rodinhas com quase um metro de altura, os esmaltes enfileirados e organizados pela marca e por ordem crescente da cor.

Quase uma hora depois, chegou a vez dos pés, e esta foi ainda mais aterrorizante. A senhorinha havia comprado umas geringonças em São Paulo para facilitar seu trabalho e deixar a cliente mais confortável. Então, deitei-me numa maca, ela se apossou de um capacete com uma lente de aumento que se encaixava sobre seus óculos e começou a lixar minhas unhas. Seus olhos ficavam enormes naquele treco e eu tive que conter para não cair na risada.

Terminado o serviço, preenchi outra ficha de satisfação, avaliando o trabalho da manicure e da clínica. Fui até o caixa para pagar a conta com a minha notinha e antes de sair, levei um saquinho com panfletos promocionais, entre outras coisas. Não voltei mais. Mas a ficha de inscrição me rendeu ligações constantes durante alguns meses.
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