segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Bastidores de uma Reportagem Policial


Mais do que falar de um caso policial, o papel do jornalista é contar uma história, traduzindo as informações apuradas para passar uma mensagem clara ao telespectador - Lívia Zuccaro
A reportagem policial é uma novela da vida real: essa frase sintetiza o discurso de Lívia Zuccaro, repórter do programa jornalístico Tá na Tela, apresentado por Luiz Bacci na TV Bandeirantes. A palestra – realizada em parceria com seu diretor, Murilo Cassio – abriu a 12ª Semana de Comunicação da FACCAMP (Faculdade de Campo Limpo Paulista) iniciada na última quarta-feira (24).

O discurso de Lívia teve foco no desempenho do repórter. Conforme suas palavras: mais do que falar de um caso policial, o papel do jornalista é contar uma história, traduzindo as informações apuradas para passar uma mensagem clara ao telespectador. Normalmente, o cinegrafista acompanha o repórter com um plano de filmagem conhecido como Plano Sequência, que nada mais é do que um modo dinâmico de reconstruir a cena enquanto os fatos são narrados. Esse estilo de linguagem – utilizado popularmente entre os repórteres atuais – evoluiu e se modificou conforme a necessidade do público.

Lívia também frisou a importância de uma boa apuração: “hoje em dia, só a palavra do policial não basta, é preciso ouvir todos os envolvidos, inclusive a vítima e, principalmente o suspeito/acusado, nem que seja para ele negar um crime – apesar de todas as provas”. Além disso, tem que ter estômago forte na hora de visitar o local do crime, “muitas vezes você vê coisas que não pode ser exibido na televisão”, disse ela. 

Mas Lívia afirma que, apesar de todo o trabalho árduo, a maior dificuldade em produzir uma reportagem policial está em usar as palavras certas para convencer alguém que está sofrendo a dar uma entrevista, pois essa atitude envolve uma série de questões éticas e morais, principalmente com relação ao lado humano que todos temos em comum: a empatia para com os demais.

Complementando seu discurso, Murilo Cassio contou-nos sobre toda a sua trajetória profissional e os principais desafios que teve que encarar em sua jornada para chegar onde está: como diretor de um programa que promete inovar o jeito de se fazer jornalismo na TV; sempre enfatizando uma importante lição que deixou para os futuros formandos: fazer bons contatos e saber aproveitar as oportunidades. Para ilustrar o que disse, ele usou a citação de um de seus educadores: “a partir do momento que você arrumar o primeiro emprego, pode rasgar seu diploma porque não vai mais importar o que você fez na faculdade”.

O conteúdo desta semana de atividades também contou com oficinas publicitárias para os alunos de Publicidade e Propaganda e mais palestras voltadas para os alunos de Jornalismo e Rádio e TV tendo como tema os bastidores de um programa de televisão e a produção de um livro biografia, além da exposição dos trabalhos dos discentes de comunicação e o lançamento do livroA Trajetória do Jornalista Gerson de Souza”.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Exposição de Trabalhos da Turma de Engenharia Civil na 12ª Semana de Cursos da FACCAMP (Faculdade Campo Limpo Paulista)

A Evolução da Casa do Homem
(muuuito criativo)

A Influência do Homem Branco nas Tribos Indígenas
(adorei os bonequinhos!)

Casa de Pau a Pique
(surgiu da necessidade de abrigar os escravos.
Minha mãe morou numa dessas quando criança, lá no Pernambuco)
Projeto Arquitetônico: Rodovia

Projeto Arquitetônico Sustentável: Canalização de Água e Reserva de Energia
(lembra muito minhas casinhas do The Sims =P)

Projeto Arquitetônico Sustentável: Casa Container
(meu namorado pira =P)

Projeto Arquitetônico Sustentável: Teto Solar
(fofa!)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Desejo Suicida


Já é nove horas da manhã. Quando o primeiro raio de luz entrou pela fresta entre as cortinas, me atingindo em cheio no olho direito, eu acordei. Não era nem seis horas da manhã. Me recusei a levantar da cama, me obriguei a voltar para meu sono. Ainda que estivesse tendo pesadelos, os pesadelos eram mais reconfortantes que lidar com a vida real.

Quero morrer, quero morrer, quero morrer. Deus, por favor, não permita que a depressão me consuma novamente. Esse sentimento é horrível. Sinto repulsa das pessoas, do mundo, de tudo. Quero ser engolida pela minha cama e esquecer que existe um mundo real lá fora. Quero dormir e não acordar nunca mais.

Detesto ter que levantar todos os dias pela manhã. Preferia me refugiar num lugar sem contato imundo-humano. Deus, por favor, não permita que eu desaponte mais ninguém. Quero sofrer sozinha, já me basta sentir esse desapontamento para comigo. Não quero ter de encarar os olhos frios dos outros. Ninguém merece minha presença.

Eu sei que não mereço uma segunda chance. Eu não quero tentar de novo. Para que? Para perder novamente e ficar me sentindo lixo? A vida é um rodízio de frustrações, com breves momentos de superação que denominamos felicidade. O que é a felicidade, se não um instante de contentamento? Para existir alegria, tem que haver primeiro o sofrimento. Para que haja a vitória, tem que existir as perdas e fracassos.

Eu me sinto derrotada. Não quero passar por isso de novo: sofrer uma grande decepção para então ter uma breve alegria. Não quero viver com essa dor. Não quero viver. Deus, por favor, eu não quero mais viver...

By Natasha

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Relato Pessoal

A faculdade deu início a um projeto muito legal para o curso de Comunicação Social, “A Cultura vai até Maomé”. A ideia é trazer uma atividade cultural diferente todo mês e promover debates sobre o assunto, estimulando a curiosidade, interatividade e tudo mais. Já tivemos duas atividades: a primeira foi uma peça de teatro pós-dramático e a segunda uma série de vídeos e clips sobre cultura e educação.

Este último mexeu muito comigo. Por que trouxe lembranças dolorosas da minha infância e juventude. Construí um relato pessoal como relatório da atividade, mas não posso entregar esse texto ao meu professor. Então resolvi publicar aqui.

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Meus pais se divorciaram quando eu estava com cerca de 4 anos de idade. Minha mãe foi trabalhar e fazer terapia em São Paulo, enquanto eu e meu irmão, um ano mais velho que eu, ficamos morando com meu pai, em Minas Gerais. Ele trabalhava direto, então minha avó e minha tia sugeriram que fossemos colocamos numa creche. Foram apenas 9 meses, tempo que a minha mãe levou para descobrir e se mudar para Minas Gerais para nos “resgatar”, mas esse período deixou grandes traumas.

Eu já estava abalada com o distanciamento da minha mãe, minha avó e minha tia não cooperavam, pois viviam maldizendo-a, insinuando que ela havia nos abandonado e outras coisas maldosas, e minha professora não era nada paciente: ela agredia os alunos por qualquer motivo. Fui vítima dos seus tapas, beliscões e puxões de cabelo muitas vezes e por motivos que não justificavam a violência.

A creche adotava um regime de autoritarismo e repressão. Tínhamos que seguir um sistema maçante de atividades, banho, merenda, parque, soneca. Eu não conseguia dormir a tarde, mas era obrigada a ficar com os olhos fechados se não quisesse levar bronca e ficar de castigo. Só podíamos ir para o parque depois de comer a merenda. Eu não sentia apetite para comer, então eu não brincava.

O problema era que ninguém conversava comigo para saber o que estava acontecendo. Minha mãe foi a única que percebeu que havia algo errado e imediatamente nos tirou da creche. Ela teve um trabalho árduo para me tirar da depressão. Eu estava arredia, vivia alerta e com medo. Fazer-me comer e falar eram tarefas impossíveis: tudo que eu comia, vomitava mais tarde e se me obrigassem a falar começava a chorar, em pânico.

No ano seguinte, aos 6 anos de idade, eu iria entrar para a primeira série. Tive um ataque de choro, desesperada com a ideia de me ver num ambiente escolar novamente. Minha mãe precisou me acompanhar e ficar presente durante as primeiras aulas até eu me sentir segura. Mas o papel da professora foi fundamental nesse processo de adaptação: ela me acolheu. Isabel era doce, incentivava a criatividade e estimulada a sociabilidade. Ela me levava para fora da sala de aula e conversava comigo sempre que eu me comportava de forma estranha. Então eu me apaixonei pela escola e, principalmente, por estudar. Chegava a ficar triste nos períodos de férias.

Com este relato pessoal quero mostrar como o educador e a família tem um papel social fundamental para a construção do indivíduo, seja positiva ou negativamente.

Meu irmão enfrentou problemas diferentes dos meus: ele era muito sociável, ativo e extrovertido. Mas apresentou grandes dificuldades para participar das aulas e acompanhar os colegas de classe durante o Ensino Médio. Isso por que ele possui um perfil sinestésico e visual, ele necessita de movimento e conteúdo multimídia para se manter atento. Ficar sentado, calado, lendo, ouvindo um professor falar é impossível para ele. Distraía-se fácil durante as aulas e os professores reclamavam de mau comportamento. Não demorou muito para que suas notas caíssem muito, colocando-o em risco de repetir a série. Terminado o Ensino Médio, ele simplesmente não quer mais saber de estudar. Abomina a ideia de entrar num curso técnico, numa faculdade ou até mesmo num curso livre. E isso me deixa muito triste, por que eu conheço a sua capacidade, mas ele não acredita no seu potencial, e não sei o que fazer para ajudá-lo.

Quanto à presença das atividades culturais em nossas vidas, na minha opinião, o interesse varia de pessoa para pessoa, independente de seu acesso ou classe social. Meu pai sempre me levou em programas culturais gratuitos do município e tanto ele quanto minha mãe incentivaram a leitura. Não fomos reprimidos para brincar, pelo contrário, minha mãe sempre incentivou a prática de atividades físicas, mas também o conhecimento das tecnologias modernas, como videogames e computadores. Ela estudou apenas até a quarta série, mas sempre acompanhou veículos de comunicação e informação. Meu pai tem 54 anos e sempre busca se atualizar, seja aprendendo a usar um smartphone ou ser ativo nas redes sociais.

A lição mais importante que me deram no momento em que escolhi minha profissão foi: comunicador social tem que entender de cultura popular. Não gosto de assistir televisão, das músicas atuais ou mesmo das tendências de moda e não sigo a doutrina de nenhuma igreja, mas compreendo e respeito todos os gostos, estilos e opiniões, pois sei que isso contribui com a nossa riqueza cultural, social e intelectual.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Rotina nos ônibus públicos

Durante os últimos dias, resolvi escrever a situação social do ônibus em que me encontrava, o qual enviava por mensagem de texto para meu namorado. Onde moro, depender de transporte público não é nada agradável, principalmente nos horários de pico...


29/08 (sexta-feira): 18h38 - indo para o ensaio de Dança do Ventre

Depois de quase quarenta minutos esperando no ponto, consegui pegar o bendito do ônibus. População: um evangélico de terno e ar superior, olhando a sua volta com desprezo explícito; um garoto na faixa dos 23 anos, mal arrumado, provavelmente operário, com a pele manchada pelo sol e os olhos fundos, com olheiras profundas e avermelhados, de tanto fumar maconha; um motorista mal humorado, estressado com a rotina de trabalho; e uma velha louca gritando palavrão no fundo do ônibus. Na verdade, ela está discutindo com o marido, mas só dá pra ouvir a voz dela. O pior é que tem crianças no ônibus, não me sinto à vontade com elas ouvindo aquele porre de besteiras.

30/08 (sábado): 9h23 – indo para a aula de Dança do Ventre

População do ônibus matinal de sabadão:
  • Um homem que me parece ser “cristão” nega um pedaço de coxinha para um cachorrinho faminto e ainda joga o papel no chão antes de entrarmos no ônibus. Se ele trata assim os animais e o meio ambiente, que dirá sua família, seus colegas de trabalho. Deus tenha piedade da sua alma, por que eu não tenho nenhuma.
  • Um cara alto e “grande” segura no cano de baixo ao invés de segurar no de cima para dar lugar aos menos favorecidos na altura. E ainda fica com as pernas beeem abertas para ocupar mais espaço. Pisei no seu pé e bati em seu joelho algumas vezes propositalmente durante o caminho, mas ainda assim ele não se tocou. Uma senhora está encolhida ao seu lado, fazendo todo o esforço do mundo para esticar o braço e segurar num pedacinho do cano.
  • Uma rockeira segue adiante com seu projeto de vida de ficar surda antes dos 30, já que ela ouve músico no fone de ouvido com o volume no máximo. Pelo menos ela está ouvindo música no fone de ouvido. Ainda assim, sinto uma necessidade horrível de fazer algo para salvar seus tímpanos.
  • Quase fui estuprada por uma bolsa. Uma garota baixinha com uma dessas bolsas transversal que fica na altura da cintura viajou atrás de mim, e sempre que o ônibus balançava sua bolsa batia com força em minha bunda. Tive que ficar meio de lado para amenizar o desconforto, já que ela não pretendia fazer nada que mudasse aquela situação.

02/09 (segunda-feira): 10h26 – indo para o centro procurar emprego.

Saindo de casa. Os ônibus atrasaram, o primeiro que apareceu está sofrendo por que todo mundo quer entrar nele, sendo que tem mais dois para descer. - Aqui passa uns quatro ônibus: um de Várzea Paulista, um para o centro de Jundiaí via marginal, um para o centro de Jundiaí via Várzea Paulista e um para Campo Limpo Paulista. Eu tenho que ir para o centro, mas o marginal só passa umas meio-dia, então tenho que ir nesse mesmo. Mas muitos aqui vai descer em Várzea Paulista, eles podiam esperar o próximo. -
Deu superlotação, não ta dando pra fechar a porta. Tem mãe irresponsável aqui dentro, asfixiando a coitada da criança. Deus, a criança! Por que ela não espera o próximo? Alguém que está na porta tem que descer, se não o ônibus não vai sair. Ninguém quer descer. Tem velha xingando o motorista pelo atraso.
Não vou sair daqui nunca.
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