terça-feira, 25 de setembro de 2012

Etiqueta e Auto Confiança



Você dá descarga antes de usar um banheiro público? Segura o garfo com a mão esquerda ou direita? Limpa os lábios antes de levar um copo à boca? Usa a mesma roupa em diferentes eventos? Sabe como e onde guardar os pertences do seu convidado? Conhece os tipos de evento e qual é mais apropriado organizar conforme a ocasião? Sabe preparar um menu formal?




Etiqueta não se resume a bons modos, educação, higiene e classe. Uma pessoa que sabe se comportar é mais autoconfiante, sente-se disposta para abordar pessoas e ir a eventos sem preocupação aparente. Quantas vezes nós, mulheres, nos vemos paradas frente ao espelho com um montante de roupas sobre a cama indecisas sobre o que vestir naquela ocasião?

Etiqueta é aparência, mas nos dias de hoje a aparência é tudo: o que e como você fala, seu comportamento e sua imagem diz muito sobre você. A primeira impressão é a que vale, e a que fica. Uma má apresentação pode arruinar uma oportunidade profissional, uma gafe pode levar embora as chances daquele romance dar certo, um erro de conduta pode dar fim ao era para ser uma boa amizade.

Sempre me interessei em ler e aprender lições relacionadas à etiqueta pessoal e profissional. Minha mãe foi criada com tradições, e tentou manter esses hábitos familiares dentro de casa. Em meu emprego, cheguei ao ponto de imprimir uma lista de boas maneiras ao telefone e distribuir entre o pessoal porque não aguentava mais um ou outro comportamento erradio.

Mas nunca tinha assistido a uma palestra de etiqueta. No Maxi Shopping há uma central de cursos maravilhosa que oferece oficinas de qualidade quase que gratuitas sobre diversos temas, desde culinária, artesanato e... Etiqueta. Não conhecia a central, e nunca havia me interessado em saber mais porque não sabia da facilidade para participar dos cursos.

Fiquei um pouco receosa para ir à palestra. Primeiro porque muitas pessoas pensam que se a pessoa faz aulas de etiqueta é porque não recebeu educação suficiente em casa para ter boas maneiras. Mas a sala estava repleta de mulheres interessadas em saber mais, em aperfeiçoar-se, melhorarem como pessoa.

Havia uma senhora um tanto ranzinza que tudo criticava, mas só o fato de estar ali já nos dizia que ela estava tentando melhorar seus hábitos. Havia uma mulher de origem humilde, que casou-se com um homem “importante” e queria sentir-se a sua altura para não passar vexame nos eventos. Havia moças recém-casadas que queriam se preparar para receberem e organizarem suas próprias festas e reuniões em casa. Oh, sim, da mesma maneira que você precisa saber se comportar num restaurante, você precisa saber recepcionar e servir seus convidados em sua própria casa.

Meu segundo receio era quanto ao professor, sendo ele ex apresentador de um programa de televisão, palestrante e convidado a treinar equipes, imaginei se falaria somente para as classes elevadas ou faria seu discurso direcionando para todas as classes, inclusive a minha. Surpreendi-me com seus conselhos sobre simplicidade e discrição, dizendo servir para toda e qualquer pessoa, independente da faixa etária, da ocasião e da classe social.

Uma pessoa educada é uma pessoa evoluída e, portanto, superior. Uma pessoa de bons modos, que sabe se comportar, sente-se confiante o suficiente para ir a diversos eventos na companhia das mais variadas pessoas, sem fazer feio.

Dicas para não fazer feio

  • Tenha um jogo de pratos brancos em casa. São coringas, servem para qualquer ocasião.
  • Assustada com o número de talheres sobre a mesa? Este número equivale ao número de refeições que será servida.
  • Apesar de nós, mulheres, não apreciarmos muito, o correto é deixar que os homens nos trate como damas.
  • Repetir roupa? Só se for num evento diferente com pessoas diferentes. Caso contrário, espere uma terceira troca de roupa.

Frases de efeito

  • Poder pode, mas não deve.
  • Ainda há países onde os homens reverem as mulheres. Se a cultura brasileira é machista e  masculinizada é porque as mulheres vulgarizam suas imagens tentando igualar-se aos homens.
  • Quando a gente não joga o suor de cada dia no lixo estamos agradecendo a Deus. Reputa quantas vezes forem necessárias, mas nunca jogue comida no lixo.
  • Nunca haja com soberania, impondo-se às demais pessoas. A vida cobra e mostra mais tarde.
  • Vivemos num mundo incerto, não guarde suas melhores roupas e suas melhores peças para uma ocasião especial. Use como se fosse a última ocasião, portanto a mais especial.

Roupa é Motivo



As pessoas compram roupa, primeiramente, por necessidade. Precisam de uma peça para cada ocasião, para passear, sair à noite, nadar e dormir, para quando está frio e para quando está calor. Mas não basta ser uma peça simples - curta ou não, de tecido fresco ou quente – as pessoas, principalmente as mulheres, querem estampas diferentes, querem peças exclusivas, querem destacar-se entre as outras, querem qualidade e moda, não importa o preço.

A moda foi criada para que os mercados tirassem proveito da mente consumista humana. As pessoas querem novidade, querem surpresas, sentir-se vaidosas. Querem prever as tendências e usar o que todo mundo usa, mas com um toque de personalidade único.


Há quem gaste a toa com roupas e mais roupas sem necessidade aparente, apenas por luxo e vaidade. Eu, particularmente, não sou do tipo que sai para comprar roupas e volta cheia de sacolas, mas se o dinheiro me permite, gosto de ter uma peça nova em meu guarda-roupa toda semana. Não gasto aos montes, me contento com uma peça, às vezes uma peça qualquer. Mas o que me emociona mesmo é ter motivo para comprar.

Com motivo quero dizer comprar para uma ocasião especial. Gosto de escolher a roupa imaginando onde e porque estarei usando-a. É este critério que uso para não comprar, para que ter esta peça se não vou utilizá-la?

De nada adianta um closet cheio se você não tem motivo para usar as roupas que ali estão. O que os principais portais de moda ensinam é aproveitar cada peça do seu roupeiro. As revistas ensinam a transformar uma peça velha ou uma roupa de brechó num elemento de última moda. Os sites exibem fotos do que saiu nas passarelas, sempre relembrando de que aquilo já fora moda um dia, mas agora está aperfeiçoada; ou que já foi algo ridicularizado, mas que agora é moda.

A moda quem faz é a gente. Vestir-se bem é estar confortável e de acordo com o que a ocasião exige. Um look perfeito é aquele que contém criatividade, que traduz o que diz nossa personalidade. De nada adianta diversos coringas, preço e panos se não há estilo próprio.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Balada


Era quase três horas da madrugada, e eu estava começando a me entediar com a altura da música eletrônica e com a dancinha sensual que minhas colegas insistiam em fazer, na esperança de atrair um macho que tivesse carro para leva-las para casa.
Não que eu fosse uma garota sem o menor senso de humor. Mas queria mais da vida, mais do que noites e papos furados. Todavia, para isso, precisava abrir mão das baladas sem fundamento e me afastar daquelas cabeças ocas que se embebedavam sem motivo.
Por um momento, senti-me sozinha. Minha família só sabia me julgar, cada um a seu modo. Meus patrões não reconheciam meu esforço no trabalho. E as amigas... Bem, elas estavam presente quando o assunto era diversão, mas se ausentavam na minha semana especial, quando o dinheiro acabava e quando eu sofria uma dessas frustrações amorosas toscas.
Queria uma amizade sincera, para me acompanhar em meus passeios e viagens, me ouvir e contar comigo quando necessário. Queria um amor romântico, fiel e até meloso. Queria uma família unida, que me acolhesse e me deixasse acolher. E queria sexo, claro, sentir aquele prazer único que a gente não mede nem domina.
O som continuava se elevando à medida que o efeito da bebida passava. Estou cansada, quero ir pra casa, queria dizer, mas não me ouviriam. Riam a toa e me puxavam para dançar uma dança sem sentido. Peguei mais uma cerveja, vamos lá, anime-se, é sábado, você é jovem e bonita e inteligente, sabe disso. Não preciso disso, não preciso delas, a cama está bem mais confortável, sem polícia no final da noite...
Encarei as pessoas a minha volta. Um dançando, um beijando, um caindo, outro dando amassos contra a parede, um bebendo pela décima vez, o copo trocando de cor. Parei num deles, que me encarava de volta. Era bonito, esbelto, parecia sozinho, talvez os amigos se meteram numa briga, ou a namorada trouxa foi ao banheiro.
Virei o rosto, fiz cara de pouco caso, olhei-o novamente e ele continuava com os olhos parados em mim, o semblante cansado, mas feliz e sensual. Mexi a sobrancelha, um gesto leve e quase imperceptível, mas ele pegou, piscou de volta, fazendo pose. Não aguentei e sorri com aquela situação hilária. Não queria beijá-lo, estávamos no meio da noite, quantas mais havia beijado?
Mas o riso me entregou, como se houvesse correspondido a paquera, ele sabia que eu desejava. Quis dançar com as amigas, não queria parecer brega, elas nada percebiam o que rolava ali. O DJ trocou a música, era a batida perfeita. Um passo, dois passos em minha direção. Não, não queria beijar ali. Fui até ele, amassando-me contra a multidão esmagadora, quase perdi-o de vista, mas ele estava ali, ao meu encontro, usando uma camisa com uma leve estampa xadrez. Joguei meus braços em seus pescoços, sem tempo para conversinhas fiadas.
E nos beijamos. O gosto doce e gelado da bebida envolvendo os lábios e a língua, aquele aperto gostoso na cintura para não me perder na multidão, o carinho nos cabelos, fazendo-me amolecer o corpo e a feição. Fechei os olhos, e a música diminuiu, os murmúrios a minha volta diminuíram, tudo o que eu ouvia era sua respiração descompassada contra a minha.
A paquera, na balada, é curta e forte, ágil o suficiente para ser transmitida com olhares. Mas os beijos de balada são longos e inesquecíveis, como se soubéssemos que nunca mais fossemos nos ver novamente, por isso dávamos o melhor de nós naquele momento, para eterniza-lo. “Beijei um cara...”, contamos mais tarde.
A noite acaba ali. Depois de uma ficada sensacional, simplesmente perde a graça. No outro dia a enxaqueca nos faz reconhecer que não foi um sonho, mas a mesma enxaqueca nos traz de volta para a realidade. Para fugir dela, somente na próxima balada.
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