sábado, 18 de agosto de 2012

Relatório de Viagem

Cresci com meus pais separados. Minha mãe, uma trabalhadora de mão cheia, entre a cidade grande chamada Jundiaí e Várzea Paulista, empenhada em colocar comida na mesa. Meu pai, profissional autônomo, residindo na pequena cidade do interior de Minas Gerais chamada Extrema, curtindo sua vida de solteiro e gastando com coleções e restaurantes. Hoje ele está casado novamente, tentando ser um bom marido e vivendo o tiquinho que permitem da experiência de ser pai, ainda que a filha não seja dele.
Os dois me completam. E o mesmo digo das cidades, não sobrevivo sem o urbanismo de uma e sem o bucolismo da outra. E as viagens... Bem, esse é o tema do post.

Hoje, organizo minhas pequenas malas habilmente com tudo que posso levar e mais um pouco. Tenho meus truques para fazer tudo caber, truques que desenvolvi depois de tantas malas feitas: Substituo os frascos grandes por pequenos (tenho vários frascos de viagem), adéquo peças pequenas em saquinhos e necessaires, observo o clima para presumir quais roupas levar e faço rolinhos para caber mais e organizar. Depois, a parte trabalhosa. Manuseio as malas entre os braços e as pernas através das catracas, escadas e assentos miúdes que tenho que encarar, com certa facilidade. Vez por outra me deparo com uma pessoa educada disposta a ajudar. Se eu viajar bonitinha é mais fácil de encontrar essas pessoas.
Apesar de ser poucas horas de viagem, afinal as cidades são bem próximas, viajar de ônibus é um tanto cansativo. O ar abafado, os murmúrios e cochichos dos demais passageiros, o stress do motorista impaciente, a lentidão do tráfego e as voltas desnecessárias para quem tem um ponto em mente deixam qualquer um exausto. É isso que me desestimula a viajar mais vezes. Se não eu ficaria para lá e para cá com mais frequência.

Todavia, confesso que quando tiver meu carro sentirei um pouco essa aventura afobada. É gostoso ter histórias para contar quando se passa por algum imprevisto no caminho. É gostoso viver emoções inusitadas - dessas que a gente guarda só pra gente. É gostoso conhecer pessoas e tipos.
Sentirei falta disso.


Depois de tantos anos para lá e para cá, desenvolvi o hábito de fazer amizade com o passageiro do assento ao lado. Você toma conhecimento de histórias tão interessantes que dá vontade de anotar cada causo e registrar num caderninho.
Desta vez, tentei ajudar um senhor e levei bronca do motorista, aturei a conversa de dois soldados (porque eles só falam de batalhões e treinamentos e baterias e alojamentos e sei lá mais o que?!), conheci um cara simpático e cavalheiro que achei muito inteligente para trabalhar com produção (ele mora em Munhoz e tem família em Jundiaí), e conheci uma professora de educação infantil que mora em Camanducaia e trabalha em Bragança, que passou um bom tempo expressando seu carinho com os alunos, histórias de classe e a dor da separação ao final de cada ano.
Não lembro muito o que contar das outras viagens. Vivi experiências engraçadas e já fui mais atrevida para fazer algumas peripécias. Uma vez fiquei com um reggaeiro que vinha do Rio de Janeiro. Ele não era bonito, bem tão legal, mas falava engraçado e beijava muito bem. Parecia perdido, não quis me contar detalhes da viagem, mas falou a toa de coisas sem sentido que me fizeram rir a beça. Não sei o nome dele, nunca soube.

Que bom que as viagens nunca se cessarão (tenho certeza que meus pais nunca reatarão).

Escolhas

Não quero mais trabalhar para os outros. Parece uma ideia assombrosa para uma garota de 18 anos de idade prestes a entrar na faculdade, mas é encantadora. Ainda mais encantadora unida à ideia de mudar de cidade.
Até tempo atrás era uma ideia absurda, agora não mais. Porque? Porque consegui a base para poder trabalhar naquilo que gosto. Quero inteirar-me na área artística e cultural, que é o meu lugar. E, trabalhando na Monalisa, meu primeiro e último emprego, descobri que tenho empenho e capacidade para ser autônoma.
Há pessoas inteligentes que preferem a comodidade do emprego registrado, com salário fixo. Mas eu me aventuro com a ideia de estipular o meu próprio salário. Gosto disso. Por isso que fiquei com um tédio enorme quando meu trabalho caiu na rotina.
Tudo o que eu preciso para começar é fazer o dinheiro fazer dinheiro. Tenho um número, preciso multiplicá-lo. Ainda que em pouca quantidade, já fiz isso uma vez, sou capaz de fazer de novo. Só preciso ser esperta e saber investir, gastar com a coisa certa, procurar as pessoas certas.
Espero poder contar com aqueles que sempre disseram ser amigos. Espero ter maturidade o suficiente para ouvir e compreender os conselhos de pessoas mais velhas e experientes.


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A Arte da Fotografia


“Deixar-se levar pela composição de uma imagem é poder de alguma forma estar lá, no momento de sua captura” Clodoaldo da Silva
[foto: sala de jantar – museu histórico e cultural de Jundiaí]


Olha só, descobri que gosto de fotografar coisas inúteis, rs. Ganhei uma câmera digital linda no meu aniversário, um luxo que fazia tempo estava na minha listinha de ambições. Mas, estranho, sempre quis uma para registrar momentos, e de repente me pego especulando álbuns, assistindo um vídeo sobre o assunto, vendo cursos na área, contemplando uma exposição de flagras urbanos, registros de fotógrafos jundiaienses. Não que eu queira ser fotógrafa, mas gostaria que pelo menos as imagens do meu tumblr fossem feitas por eu própria.
Tudo o que não quero é ser jornalismo, mas confesso que como blogueira me sinto trilhando esse caminho, afinal já estou andando com cadernetas para tomar nota dos eventos que presencio, e agora deu para andar com a câmera na mão (nunca se sabe quando vai surgir a imagem perfeita). Esses dias mesmo eu fui assistir uma apresentação de dança, e senti uma vontade danada de registrar minhas impressões e descer até o palco (sim, o palco ficava embaixo, rs) para fotografar as meninas de perto. Na realidade, minha vontade ia um pouco mais além, eu queria era invadir o camarim e registrar um flagra.

[foto: flagra do ensaio de dança – espaço cidadania]

Até fiz uma listinha (eu e minhas listas) de coisas e momentos que gostaria de fotografar. Também presto atenção na roupa que vestirei para sair de casa, nunca se sabe quando encontrei aquela pessoa (amiga, professor, paquera), e com certeza vou querer bater uma foto com ela. Tomara que essa minha emoção não dure pouco.
Meu estilo de fotografar? Precisamos ter um, não? Defini o meu assim: Não quero mostrar o que todo mundo vê, a garota bonita, as manobras daquele rapaz. Quero que as pessoas conheça o outro lado... Retratos realistas do que acontece nas ruas escuras da cidade, aquele passado que pensamos ter deixado para trás, mas que continua presente; fotos estilo paparazzi no camarim da dançarina, para mostrar todo o nervosismo que antecede a entrada no palco, a expressão de satisfação ao sair, a agilidade em trocar de roupa, a careta do que fazer quando esquecer o passo, enfim, marcações de dança, ensaios e erros; flagras das coisas belas da vida, como o pensador oculto no garoto que estuda no parque, o artista que cresce na criança que brinca com as cores, o carisma de um vira-lata e o amor que nasce num beijo às escondidas; e fotos que permitem que as pessoas visitem os lugares belos menos conhecidos da cidade, paisagens que não são impressas em cartões postais, como aquela árvore isolada ao fim daquela rua estreita e a beleza da flor mais pequenina.

[foto panorâmica: realismo a grafite – em exposição no centro das artes em Jundiaí – blogirineuartes.blogspot.com]

Bem, voltando ao planeta Terra, agora poderei montar um portfólio no estilo, usando o pouco que conheço das técnicas de scrapbooking. Todavia, terei que estudar um pouco sobre ângulo, luz e contraste. O corte certo, aplicações de efeito. Tudo isto para a imagem soar o mais natural possível, afinal, a pessoa precisa se sentir no ambiente da fotografia, não é mesmo?
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